21 de julho de 1777 — 5 de julho de 1850
O Fundador das Terras de Juiz de Fora
Capitão, fazendeiro, financiador e patriarca.
O homem cujas terras e cuja luta deram origem à cidade de Juiz de Fora.
Pesquisa e Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Antônio Dias Tostes (c. 1777–1850)
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Antônio Dias Tostes nasceu em 21 de julho de 1777 e foi batizado na Capela de Santa Rita de Ibitipoca, filial da Matriz de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, em Minas Gerais. Era neto do primeiro Antônio Dias Tostes, açoriano da Freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, Ilha Terceira, que veio para o Brasil no início do século XVIII e se estabeleceu na região de São João del-Rei. Foi o terceiro da linhagem a carregar o nome — e o único que viveu e faleceu no então povoado que mais tarde se tornaria Juiz de Fora.
Acumulou capital na mineração de ouro em São João del-Rei e, com esse recurso, estabeleceu-se como fazendeiro na região do Paraibuna. Ao longo da primeira metade do século XIX, tornou-se o maior proprietário de terras da localidade, controlando as fazendas Fortaleza, Retiro, Juiz de Fora, Marmelo e Graminha — as terras onde hoje se localiza o centro da cidade.
Serviu como tenente e depois como capitão. Além da atividade agrícola, atuou como financiador regional, com dezenas de devedores espalhados pela região. Foi o principal articulador da emancipação do município, lutando pela criação do curato, do distrito e da vila — faleceu em 5 de julho de 1850, desgostoso com o erro de publicação da lei que suprimiu o nome "Juiz de Fora" da denominação oficial da Vila.
Deixou doze filhos do primeiro casamento e um do segundo. O solo sobre o qual Juiz de Fora foi construída passou, em grande parte, por suas mãos.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Fazenda do Juiz de Fora, foto de 1847
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
A história de Antônio Dias Tostes começa nos Açores. O primeiro da linhagem, o patriarca açoriano Antônio Dias Tostes, nasceu na Freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras, Ilha Terceira, e veio ao Brasil no início do século XVIII como parte da política de colonização da Coroa Portuguesa. Estabeleceu-se na região de São João del-Rei, onde obteve carta de sesmaria em 1759 na Freguesia de Santa Rita de Ibitipoca. Era proprietário da Fazenda Santa Ana, onde faleceu em novembro de 1765, deixando oito filhos.
Seu pai, Antônio Dias Tostes Filho (1756–1807), nascido na Freguesia de São João del-Rei, dedicou a maior parte de sua vida à mineração. Em 1781 adquiriu terras na região de Juiz de Fora. Residia na Fazenda do Curralinho, em Ibitipoca, onde faleceu em novembro de 1807, casado com Maria Francisca de Jesus (1757–1806), deixando doze filhos.
O terceiro da linhagem, Antônio Dias Tostes (1777–1850) — nosso personagem — foi o único dos irmãos que se fixou definitivamente na região do Paraibuna. Irmão, entre outros, de João Antonio Tostes (1796–1865), que se casou com Theresa Firmiana de Carvalho e cujo filho Cândido Bernardino Teixeira Tostes se tornaria o maior cafeicultor de Minas Gerais. Antônio acumulou capital na mineração de ouro em São João del-Rei e, com esse recurso, voltou seus olhos para as terras férteis da Zona da Mata, então em pleno processo de abertura e distribuição de sesmarias.
Em 1798 recebeu uma sesmaria entre as terras de João Alves Araújo e as de Manuel Braz de Almeida. Em 1808 adquiriu parte da Fazenda do Marmelo de Francisco Gonçalves Lage. Em 1812, o passo decisivo: comprou de José Vidal, herdeiro universal, tanto a Fazenda do Juiz de Fora quanto o restante da Fazenda do Marmelo, pelo valor de 11:770$000 réis, pago em prestações anuais. A partir daí, a família Tostes tornou-se a principal detentora de terras da região, com domínio sobre quase toda a margem direita do rio Paraibuna.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Rua Direita, atual Av. Barão do Rio Branco, 1836
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
A riqueza dos Tostes não nasceu do café. Durante as primeiras décadas do século XIX, as propriedades de Antônio Dias Tostes estavam diretamente ligadas ao movimento de tropas que percorriam o Caminho Novo. Ranchos de tropas, casas de vivenda e uma tenda de ferreiro geravam renda constante e movimentavam a economia local. Os ranchos serviam de pouso para tropeiros que faziam o trajeto entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, e a tenda de ferreiro atendia às necessidades das montarias e cargas.
Foi o próprio Antônio Dias Tostes quem encomendou uma picada em suas terras para contornar o caminho íngreme do antigo povoado — foi justamente por essa picada que o engenheiro Halfeld, ao traçar a Estrada Nova do Paraibuna em 1836, lançou a reta de três quilômetros em torno da qual a cidade cresceria. A atual Avenida Barão do Rio Branco nasceu de uma iniciativa do tenente Tostes.
"Aproveitando uma picada encomendada pelo tenente Antônio Dias Tostes, em suas terras, para fugir do caminho íngreme do povoado, já na margem direita do rio Paraibuna, Halfeld traçou uma reta de cerca de três quilômetros em torno da qual se desenvolveu a cidade."
Com a expansão da cafeicultura na Zona da Mata Mineira, a família passou a investir progressivamente na produção de café. Graças à abundância de terras, ao capital acumulado e ao conhecimento do território, os Tostes participaram ativamente da transformação econômica que fez de Juiz de Fora um dos principais centros cafeeiros de Minas Gerais. Pesquisas acadêmicas confirmam que os Tostes estiveram entre as famílias de fundamental importância para a cafeicultura em Juiz de Fora, ao lado das famílias Vidal Leite, Barbosa e Cerqueira Leite.
Além da atividade agrícola, Antônio Dias Tostes exerceu papel relevante como financiador regional. Dezenas de produtores e proprietários rurais da região dependiam de empréstimos concedidos pela família, o que ampliava sua influência econômica e social muito além dos limites de suas fazendas. O inventário de sua primeira esposa, realizado em 1837, registrava 56 devedores diferentes — um retrato claro do alcance financeiro da família na região.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
A mais emblemática das propriedades e a que deu nome à cidade. Situada na margem esquerda do Paraibuna, à altura da atual Avenida Garibaldi, no bairro Vitorino Braga, foi construída originalmente em c. 1719 pelo Dr. Luís Fortes Bustamante e Sá — o juiz de fora do Rio de Janeiro que comprou as terras de João de Oliveira em 1713. A fazenda passou pelos irmãos Vidal entre 1750 e 1812, quando José Vidal, herdeiro universal, a vendeu a Antônio Dias Tostes em 30 de junho de 1812.
Foi nesse sobrado que o engenheiro Henrique Halfeld residiu com sua esposa Cândida Maria Carlota Tostes a partir de 1840, e de onde delineou o plano geral da cidade. A fazenda permaneceu no domínio da família Tostes até 1881, quando foi anunciada à venda pelo jornal O Pharol. Passou depois a Filismino Corrêa de Mendonça (1881–1906) e a Cristóvão de Andrade (a partir de 1906). O sobrado foi demolido em 1946, em completo estado de abandono e ruína, sob protestos de historiadores e da imprensa local, por ordem do Interventor José Celso Valadares Pinto. Onde existiu a primeira casa de Juiz de Fora, hoje é um terreno baldio no quarteirão formado pelas ruas Almada Horta, Barão de Juiz de Fora e Avenida Garibaldi.
Fazenda do Juiz de Fora — foto de 1847, Álbum Albino Esteves
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Primeira grande aquisição de Antônio Dias Tostes na região e núcleo inicial de sua expansão patrimonial. Comprada em 1808 de Francisco Gonçalves Lage, irmão da esposa de Antônio Vidal, constituía vasta extensão territorial que alcançava a ponte do Zamba. Foi completada em 1812 com a compra do restante a José Vidal, consolidando uma das maiores propriedades da região do Paraibuna.
A fazenda Marmelo é mencionada em relatos de viajantes desde o início do século XIX. Depois da morte de Antônio Dias Tostes foi posteriormente adquirida pelo Comendador Pedro Procópio Rodrigues Vale, passando a integrar outro grande patrimônio rural da Zona da Mata Mineira.
Uma das maiores e mais antigas propriedades da região, proveniente das grandes sesmarias dos Dias Tostes. Situada na estrada em direção a Caeté, possuía 523 hectares. Em 1841, Antônio Dias Tostes e sua segunda esposa Guilhermina Celestina da Natividade venderam a Fazenda Fortaleza — juntamente com a "Casa de Capela de Sobrado" no Retiro — e mudaram-se para a Fazenda da Graminha, onde Antônio residiu até a morte.
A Fazenda Fortaleza foi adquirida em 1843 por José Ribeiro de Resende, o Barão de Juiz de Fora, que ali passou a residir com sua família e dedicou-se à produção cafeeira em larga escala. A fazenda foi posteriormente passada ao filho do Barão, o Coronel Francisco Eugênio de Resende.
Também conhecida como Fazenda Nova, foi construída e habitada pelo próprio Antônio Dias Tostes. Foi nela que o Capitão recebeu, em 1831, o Imperador D. Pedro I, sendo condecorado na ocasião com a insígnia de Cavaleiro da Ordem de Cristo. Em suas terras foram construídos a Capela de Santo Antônio da Boiada e um cemitério no lugar denominado Boiada, onde foram realizados sepultamentos até 1872. O batismo de Cândida, filha de Antônio Dias Tostes e futura esposa do engenheiro Halfeld, foi realizado nessa chapel em 28 de abril de 1822.
Em 1841, ao se mudar para a Fazenda da Graminha, Antônio Dias Tostes vendeu também a "Casa de Capela de Sobrado" no Retiro. Após sua morte, a fazenda pertenceu sucessivamente a Antônio Lopes Coelho de Souza Bastos, Antônio Caetano de Oliveira Horta e Francisco Ribeiro de Assis, passando a se chamar Floresta. Na área foi posteriormente construída a Estação do Retiro da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Ponte do Retiro — Juiz de Fora, início do século XX
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Situada ao sul do atual município, além do bairro Bom Pastor, a Fazenda da Graminha foi a última residência de Antônio Dias Tostes. Em 1841, após vender a Fazenda Fortaleza, ele e sua segunda esposa Guilhermina Celestina da Natividade construíram a sede da nova fazenda e para lá se mudaram. Foi nessa propriedade que Antônio Dias Tostes viveu seus últimos anos e onde lavrou seu testamento em 4 de maio de 1843, em São João del-Rei, deixando suas terras para os doze filhos.
Após sua morte, a Fazenda Graminha foi adquirida pela família Senra, e sua área passou por uma série de repartições que a dividiram em sítios e fazendas menores ao longo do século XIX.
Também conhecida como Sesmaria do Alcaide-Mor. Localizada na rua dos Jalões, atual Alencar Tristão nº 270, no bairro Santa Teresinha. Em 1879, o filho Antônio Dias Tostes Júnior comprou a propriedade de Honório Ribeiro de Miranda. O casarão, após ter servido de quartel por mais de quarenta anos, ainda existe próximo ao cemitério da paz, tombado em instância municipal.
Em 1798, Antônio Dias Tostes recebeu uma sesmaria entre as terras de João Alves Araújo e as de Manuel Braz de Almeida. Foi a primeira propriedade documentada na região do Paraibuna, ponto de partida da expansão fundiária que o tornaria o maior proprietário de terras da localidade.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Antônio Dias Tostes casou-se em primeiras núpcias com Dona Anna Maria do Sacramento (1784–1833), com quem teve doze filhos. Após enviuvar, contraiu matrimônio com Guilhermina Celestina Teixeira da Natividade, viúva de Paulo Xavier Hofbauer, filha do coronel Teixeira de Carvalho e Maria Lucinda da Apresentação. Desse segundo casamento nasceu apenas um filho, José Augusto Teixeira Tostes, casado com Augusta, filha de Claudemiro Dias Bicalho e Maria Augusta Correia Leão.
As alianças matrimoniais desempenharam papel fundamental na preservação e ampliação do patrimônio dos Tostes. A família estabeleceu relações com outros importantes grupos proprietários da região, em especial com a família de Mariano Dutra de Morais, outro grande proprietário de terras da localidade. Vários casamentos ocorreram entre primos da própria família, conduta que revelava uma estratégia deliberada de manutenção do patrimônio.
Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld — Engenheiro alemão, genro de Antônio Dias Tostes
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
O caso mais emblemático foi o do engenheiro alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld. Ao se casar com Cândida Maria Carlota Tostes em 8 de janeiro de 1840, vinte e seis anos mais nova, Halfeld foi incorporado à elite local e tornou-se um dos agentes centrais do desenvolvimento urbano de Juiz de Fora. Foi ele quem projetou o traçado das ruas, doou terrenos para a praça João Penido, para o parque que recebeu seu nome e para o prédio da Câmara Municipal. De seu casamento com Cândida nasceram sete filhos, entre eles a filha Diva Mariana, que se casou com o médico Dr. José Nava e foram pais do escritor e memorialista Pedro Nava.
Também notável é o casamento de Custódio Dias Tostes com Carlota Maria Cândida. Desse casal nasceu Maria Carlota Mendes Tostes, que se casou com Geraldo Augusto de Miranda Rezende, ambos agraciados com o título de Barões do Bom Retiro.
Do casamento com Dona Anna Maria do Sacramento nasceram doze filhos. Em seu testamento de 1843, Antônio Dias Tostes os nomeou como herdeiros das doze faixas de terra que formariam o centro de Juiz de Fora:
Batizada em 28 de abril de 1822 na Capela de Santo Antônio da Boiada. Casada em 8 de janeiro de 1840 com o engenheiro Henrique Guilherme Fernando Halfeld. O casal residiu no sobrado da Fazenda do Juiz de Fora. Tiveram sete filhos, incluindo Diva Mariana, avó do escritor Pedro Nava.
Casada com Antônio de Macedo Cruz. Seus filhos e genros aparecem como declarantes de terras nos Registros Paroquiais de Terras da região.
Casada com o Tenente-Coronel Manuel José Pires. Residiam na Aplicação do Espírito Santo, no termo da Vila de São João Nepomuceno.
Casada com José Antônio Henrique Júnior.
Casada em primeiras núpcias com Mariano Dutra de Morais e em segundas núpcias com Pedro Monteiro de Souza.
Casado em primeiras núpcias com Felicidade Umbelina Barbosa. Em segundas núpcias, em 23 de novembro de 1845, casou-se com sua sobrinha Amélia Rosalina Dutra de Morais na chapel de Santo Antônio do Juiz de Fora.
Casado com Maria Vendelina Tostes. Pai do Barão de São Marcelino, Marcelino de Assis Tostes, que em 1865 conseguiu aprovar a lei que devolveu à cidade o nome Juiz de Fora. Doou terrenos para a construção da Igreja Matriz da cidade.
Casado com Rita de Cássia Florinda de Assis Fonseca em 1839. Era capitalista e fazendeiro. Sem descendência. Faleceu em 3 de fevereiro de 1884. Foi ele quem mandou trasladar os restos mortais dos pais para o Cemitério Municipal em 1879.
Nascido em 1809. Casado com Lucia Rodrigues Pereira. Estabelecidos em Miracema (RJ), cidade da qual Lucinda foi fundadora. Seus descendentes estão documentados em São Fidélis e Itaocara ao longo da segunda metade do século XIX.
Casado com Umbelina Cândida de Morais, sua sobrinha. Estabelecidos em Monte Verde (MG). Tiveram apenas uma filha, Maria Cândida Tostes, casada com seu primo Antônio Dias Tostes, filho de Marcelino.
Casado com Carlota Maria Cândida. Tiveram uma única filha, Maria Carlota Mendes Tostes, casada com Geraldo Augusto de Miranda Rezende, ambos Barões do Bom Retiro.
Nascido em 1824, falecido em 1880. Casado em 16 de fevereiro de 1842 na chapel de São Félix, em Itaocara, com Ana Francisca de Paula. Estabelecidos em São Fidélis (RJ).
Do segundo casamento com Guilhermina Celestina Teixeira da Natividade nasceu José Augusto Teixeira Tostes, único filho dessa união, casado com Augusta, filha de Claudemiro Dias Bicalho e Maria Augusta Correia Leão.
Entre os sobrinhos de Antônio Dias Tostes que se destacaram na história da região, o mais notável foi Cândido Bernardino Teixeira Tostes (1842–1927), conhecido como Dr. Candinho. Filho do irmão de Antônio, João Antonio Tostes (1796–1865), e de Theresa Firmiana de Carvalho (1807–1892), Cândido Bernardino tornou-se bacharel em Direito pela Faculdade de São Paulo, retornou a Juiz de Fora em 1867 e tornou-se o maior cafeicultor de Minas Gerais, recebendo o apelido de "Rei do Café". Proprietário das fazendas São Mateus e Fortaleza de Santana, foi também presidente do Banco de Crédito Real de Minas Gerais. Casado com Maria Luisa Rezende, foi pai de João de Rezende Tostes, deputado federal constituinte em 1934.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Cidade do Parahybuna
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Antônio Dias Tostes foi o principal articulador da emancipação do município. Em seu livro de 1812, o viajante John Malwe já registrava ter chegado à Fazenda do Juiz de Fora depois de transpor "uma cadeia de montanhas no meio dos quais vimos outros saltos do Paraíba". Naquela época, Tostes já residia no Retiro do Juiz de Fora e exercia poder sobre quase a totalidade da população local. Conseguiu a criação do Curato de Santo Antônio do Juiz de Fora — primeiro passo formal para a emancipação — e lutou durante décadas pela elevação do arraial à categoria de vila.
Em 4 de maio de 1843, já com a primeira esposa falecida havia seis anos, Antônio lavrou testamento em São João del-Rei deixando suas terras para os doze filhos. A partilha foi registrada por Halfeld em planta de 28 de março de 1844. Nela se veem a Estrada Nova cortada pela Ribeira da Independência, pontes, o caminho para a Fazenda São Mateus e o "caminho para a Fazenda do Juiz de Fora" — a futura Rua Halfeld. Estão demarcadas 14 casas de um lado da Estrada Nova, a chapel de Santo Antônio, 2 ranchos e 26 casas do lado oposto. Era, de fato, o croqui de uma cidade nascente.
As terras foram divididas em doze faixas paralelas com aproximadamente 400 metros de largura cada, transversais à Estrada Nova — a atual Avenida Barão do Rio Branco. Foi sobre essas faixas que a cidade cresceu ao longo da segunda metade do século XIX. O próprio Antônio Dias Tostes havia pedido autorização ao governo do Império para transferir a antiga chapel em ruínas de sua fazenda no Morro da Boiada para o local onde hoje se encontra a Catedral, doando os terrenos para esse fim.
Antônio Dias Tostes faleceu no dia 5 de julho de 1850 — desgostoso com o erro de publicação da lei que suprimiu o nome "Juiz de Fora" da denominação oficial da Vila. Seu corpo foi sepultado no interior da Chapel de Santo Antônio no Morro da Boiada, junto à primeira esposa Anna Maria do Sacramento. Os restos mortais do casal foram trasladados em 7 de novembro de 1879, por ordem de seu filho Antônio Dias Tostes Júnior, para o Cemitério Municipal.
A família Tostes tornou-se presença constante nos espaços de poder regional, com membros ocupando cargos públicos e exercendo mandatos na Câmara Municipal em todas as legislaturas do período imperial, de 1853 a 1889. Os maiores picos de presença familiar na Câmara ocorreram nas eleições de 1853, 1861 e 1887. Nenhuma outra família da região manteve presença ininterrupta equivalente.
Mapa de partilha das terras de Antônio Dias Tostes, por Halfeld — 28/03/1844
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Capela de Santo Antônio erigida por Antônio Dias Tostes, 1847
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Cidade do Parahybuna, 1861 — Rua Direita, atual Av. Barão do Rio Branco
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Estação Ferroviária do Mariano Procópio
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
Asilo João Emílio, Juiz de Fora
© Acervo: Pedro Lorenzo Raggio Neto
O nome "Juiz de Fora" tem origem direta na fazenda de Antônio Dias Tostes. A denominação derivava do sobrado construído pelo Dr. Luís Fortes Bustamante e Sá — o juiz de fora da cidade do Rio de Janeiro — em c. 1719. A fazenda ficou conhecida pelo nome do magistrado, e quando a localidade cresceu e se institucionalizou, carregou esse nome consigo.
Em 31 de maio de 1850, quando o arraial foi elevado à categoria de Vila, um erro de publicação da lei fez constar "Vila de Santo Antônio do Parahybuna" em vez de "Vila de Santo Antônio do Juiz de Fora, da Comarca do Paraibuna". O nome tradicional havia sido suprimido por engano. Antônio Dias Tostes faleceu poucos dias depois, em 5 de julho de 1850, desgostoso com o erro, depois de muito lutar pela emancipação da cidade.
A correção viria quinze anos depois. No dia 19 de dezembro de 1865, o deputado provincial Marcelino de Assis Tostes — filho de Manuel Dias Tostes e neto de Antônio Dias Tostes, agraciado com o título de Barão de São Marcelino — conseguiu aprovar o projeto de lei nº 759 que restabelecia o nome "Juiz de Fora". Em entrevista ao jornal O Pharol, explicou que, além de corrigir o erro histórico, a mudança homenageava seu avô paterno Antônio Dias Tostes. O nome da cidade é, portanto, tanto um tributo ao magistrado colonial quanto uma homenagem póstuma ao homem que mais fez por sua fundação.
"Quando o projeto de lei para a troca de nome da cidade de Paraibuna para Juiz de Fora foi apresentado, estava corrigindo um erro do passado — e ao mesmo tempo homenageava o avô paterno, Antônio Dias Tostes, que faleceu desgostoso com o erro da publicação, depois de muito lutar pela emancipação da cidade."
O território que deu origem à cidade passou, em grande parte, por suas mãos. Seus descendentes permaneceram influentes durante décadas. Mais de um século e meio após sua morte, Antônio Dias Tostes permanece como uma das figuras centrais para compreender as origens e o desenvolvimento de Juiz de Fora.
Informações compiladas por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Acervo fotográfico e documental organizado por Pedro Lorenzo Raggio Neto.
Acervo fotográfico digitalizado e organizado por Pedro Lorenzo Raggio Neto.